Etienne Decroux e a Mímica Corporal
Parte 4 - Curiosidades:
Cinema:
Decroux atuou como coadjuvante em aproximadamente 35 filmes, papéis mais importantes em alguns filmes de Jacques e Pierre Prévert. Representou o pai de Jean Louis Barrault, o velho Deburau no conhecido filme Les Enfants du Paradis de Marcel Carné.
Teatro:
Atuou como ator nas companhias de Louis Jouvet e Gaston Baty e trabalhou durante oito anos no Théâtre de l'Atelier de Charles Dullin. Por toda sua via Decroux admirou Jouvet e Dullin.
Desenvolveu a Mímica Corporal Dramática a partir dos exercícios do Vieux-Colombier, tornando-a uma arte dramática completamente nova, um alfabeto corporal autônomo.
Dois encontros estimularam o seu trabalhos em seu início, primeiro com Suzanne Lodieu que acabou por tornar-se sua fiel companheira, "Suzanne no começo e Suzanne sempre," ele mesmo afirmaria mais tarde.
Ela atuou com Decroux na sua primeira composição de mímica corporal, La vie primitive (A vida primitiva).
O segundo encontro foi com Jean Louis Barrault, o trabalho conjunto entre eles foi muito frutífero, no entanto Barrault o deixou para servir o exército e depois seguiu seu próprio caminho.
Parte 5 - Um pouco sobre a carreira de Decroux
Decroux apos sair do Vieux Colombier continuou desenvolvendo sua arte em espetáculos solos que costumavam ser apresentados regularmente na sua sala de jantar para um público reduzido de três ou cinco pessoas.
Em 1941 abriu a Ecole de Mime, teve muitos problemas de início pela falta de habilidade e compromisso de seus alunos, mas por ser perseverante, inteligente, dotado de um brilhante senso analítico e com a fé que tinha na sua “missão”, Decroux conseguiu superar todos os problemas e transformar sua pequena escola em referencia em todo mundo.
Durante os últimos anos da Segunda Guerra mundial Decroux conseguiu desenvolver um grupo com a algumas pessoas interessadas e fiéis entre os quais estavam o seu jovem filho Maximilien e Eliane Guyon, e após a libertação da França dos nazistas, o seu trabalho tornou-se conhecido.
No dia 27 de junho de 1945 - Decroux contava com 47 anos e pela primeira vez um espetáculo de mímica foi apresentado em teatro de Paris para mais de mil espectadores. O espetáculo foi estrelado pelo próprio Decroux e seus alunos Eliane Guyon, e Jean Louis Barrault.
Uma presença importante nesta apresentação foi de Gordon Craig que depois de assistir escreveu um entusiasmado artigo em um jornal parisiense e a partir daí o trabalhou de Decroux ganhou um novo impulso. Seu reconhecimento cresceu, realizando mais apresentações em Paris para grandes platéias, além de ganhar novos alunos na sua escola.
Nos anos seguinte foram realizadas tournês pelo exterior: Itália, Suíça , Bélgica, Holanda, Suécia, Inglaterra e Israel.
Além das apresentações Decroux lecionou como professor convidado em todos estes países, foi professor convidado por um ano na escola do Piccolo Teatro di Milano,dirigiu uma escola e uma companhia de mímica em Nova Iorque durante cinco anos e em 1963 voltou a Paris, onde treinou jovens de todas as nações em um pequeno cômodo da sua própria casa em Boulogne-Billancourt até poucos anos antes da sua morte.
Parte 6 - A Técnica
A Mímica Corporal pode ser chamada da arte de movimento em lugar de arte de silêncio, ela compreende: técnica, conceito e um vasto repertório de peças e figuras.
A técnica é o estudo detalhado e sistemático do movimento produzido pelo corpo humano, promovendo uma pesquisa profunda da articulação no corpo e no espaço, conscientização do uso do peso, tensão/relaxamento muscular, níveis de energia e ampliação das capacidades expressivas, tendo como perspectiva formar um repertório corporal e dramático destinado à prática teatral.
O conceito é um convite à observação dos movimentos intercorporais e extracorporais de uma maneira nova e mais detalhada, estendendo o repertório de possibilidades e colocando o movimento como integrante na composição pessoal de cada intérprete.

